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em águas turbulentas me afogo meu corpo busca ar na superfície mas a mesma mão que me puxa pelos cabelos empurra a base da minha cabeça com força tremenda e a pressão de ser puxado é a mesma de ser empurrado a água continua a invadir minhas narinas elas estão latejando e borrifando sangue logo estarei afogado em vermelho que deixa a o líquido do meu pavor cada vez mais espesso, cada vez mais difícil de engolir todo o fluído que meu pulmão não da conta, arranco pela garganta é a doença do eterno naufragado sem bote e as sereias tomam a correnteza sanguinária sentem o gosto de sangue na boca mas de olhos fechados encontram águas mais calmas e puras a mão não vai me puxar dessa vez, arrancou-me todos os cabelos e minhas pernas não conseguem fazer o movimento, não querem todas as criaturas marinhas perecem infectadas e aos poucos afundo até as profundezas mais escuras, porém - não vermelhas finalmente durmo, nadar cansa |